Da sacada do sobrado, de paredes sujas e descascadas.
Daquela janela, o danado olhava-a.
Com o cabo de pentelhos nas mãos chamava-a:
-- Ei colega, tá toda de verde!
Sentada na calçada, a de verde fazia borboletas com as pernas.
Talvez em inocência, talvez. Ela retribuia um sorriso.
De mochila de rodinha e varinha na mão.
Nem Sade, nem Nabokov,
aquele das costas peludas era sutil ao mirar a de verde.
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